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Considera-se um líder? Conheça-se

Adaptado da revista Harvard Business Review

A personalidade de um líder pode variar, há aqueles que são mais contidos e analíticos e outros que são mais vorazes e autoritários.

No entanto, há uma característica transversal aos líderes mais eficientes – todos demonstram uma enorme inteligência emocional. Sem ela um indivíduo pode ter a melhor formação do mundo, uma mente brilhante, um QI acima da média e ideias inteligentes, mas falta-lhe o essencial para liderar.

Mas como conseguimos medir a inteligência emocional?

Percebendo as dimensões que fazem parte da inteligência emocional: autoconsciência, autogestão e a empatia.

Conheça-se a si mesmo

A autoconsciência é um dos primeiros skills de um líder, sem ela o seu nível de inteligência emocional nunca será muito elevado. Esta característica implica conhecer em profundidade as suas emoções, os seus pontos fortes e as suas debilidades, as suas necessidades mais comuns e os seus impulsos.

Uma pessoa autoconsciente não é nem demasiado crítica ou excessivamente optimista, é sincera consigo mesma e com os outros. Assim está ciente dos seus valores e dos seus objectivos e sabe para onde se dirige e porquê.

Por norma, uma pessoa que não se conheça a si própria pode tomar decisões que provoquem um conflito interior por entrar em contradição com os seus valore, sem que estes estejam claros para si.

Então mas como é que me tornei autoconsciente?

A primeira e mais importante forma de nos conhecermos é sermos sinceros e sermos capazes de nos autoavaliar de forma realista. Dito desta maneira pode parecer fácil para alguns, mas é dos exercícios mais difíceis que já fiz. A primeira vez que estamos sozinhos connosco e nos questionamos pode ser assustador perceber quem nós somos, é preciso praticar até que nos aceitemos e até que todas as pontas soltas do nosso ser estejam atadas numa só.

Quando somos sinceros connosco, conhecemo-nos como ninguém, tornamo-nos confiantes e capazes de vincar os nossos valores e intenções perante os outros. A franqueza é essencial para um líder, já que todos os dias lhe são pedidos juízos que requerem uma avaliação franca das suas capacidades e das dos que o rodeiam.

Autogestão emocional

A autogestão emocional não é nada mais nada menos do que saber gerir os nossos sentimentos e os nossos impulsos biológicos. É uma espécie de conversação interna continuada connosco.

As pessoas que são capazes de autogerir os seus sentimentos têm momentos de fúria e de mau humor como toda a gente, a grande diferença é que encontram formas de controlá-los e até de canalizá-los de forma positiva.

Quem consegue fazer esta ginástica mental é capaz de criar um ambiente de segurança e imparcialidade à sua volta, os conflitos internos reduzem-se drasticamente e a produtividade aumenta.

 

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Para além disso, a autogestão de um líder motiva a autogestão dos seus colaboradores que deixam de ter legitimidade para se exaltarem – ninguém quer parecer um histérico quando o seu chefe é uma pessoa ponderada e tranquila.

Um exemplo prático desta autogestão no meu trabalho é o sentimento de fúria que me domina quando a minha equipa não trabalha de acordo com as necessidades da clínica. A minha vontade é dar um murro na mesa e começar a gritar ou bater a porta da clínica e ir-me embora. E mentiria se dissesse que esta não é sempre a minha vontade ou que não tenha já acontecido. Mas, tento não fazê-lo porque já percebi que isso não me ajuda a conseguir o que pretendo.

Portanto, o exercício que faço é pensar no que é que motivou o acontecimento, se foi falta de esforço, se foram razões pessoais, se há atenuantes e qual foi a minha intervenção para evitar ou despoletar esta situação. Depois desta reflexão reuno-me com a minha equipa e apresento as minhas considerações, as consequências do incidente e a possível solução.

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Empatia não é sensibilidade

À partida a empatia pode ser confundida com sensibilidade, com tentar agradar a todos e absorver as emoções dos outros. A empatia na perspectiva da liderança implica ter em conta os sentimentos de cada um dos membros da sua equipa, juntamente com outros factores, na hora de tomar decisões.

Tento fazê-lo diariamente. Todos os dias tenho uma reunião com cada um dos diferentes departamentos que constituem a minha clínica. Tenho também reuniões de equipa todas as semanas, com todos os meus colaboradores reunidos, onde todos têm a possibilidade de mencionar alguma frustração ou problema que sintam.

Isto porque um bom líder deve ser capaz de notar e compreender os pontos de vista dos seus trabalhadores.

Por outro lado, ao criar empatia com os seus trabalhadores vai motivá-los, aumentar a sua produtividade e mantê-los fiéis a si.

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