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A viagem à Índia e o início desconhecido – Parte 1

#HM India 20110103 577 (1)Quando pisei a Índia pela primeira vez foi como se da minha mente tivessem sido apagadas todas as minhas expectativas, ideias e tudo o que tinha ouvido a seu respeito. Limitei-me a utilizar os meus sentidos. O som evasivo do trânsito, os pregões dos vendedores, os animais, os cheiros penetrantes e as cores que me assaltavam a alma!

De repente, naquele caos, vi-me totalmente só, desamparado, sem saber para onde ir, sem saber qual era o meu lugar no mundo. Assustado, mas com a ânsia de recomeçar, iniciei a minha jornada e pus-me a caminho das minhas respostas.

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A cada passo ia-me familiarizando com a concentração de pessoas – num país com 1,2 biliões de habitantes – por entre autocarros e carros desgovernados, motas sem travões, bicicletas do século XIX, tuc-tucs, burros sem rabo, cabras, vacas, camelos… Senti-me dentro das regras do jogo indiano e tal como no trânsito, só um princípio prevalecia – estar aqui agora.

#HM India 20110105 372 (1)Mas permitam-me que faça um rewind. Eu tinha 27 anos e pouco tempo depois de terminar o curso já tinha contratos de trabalho em quatro clínicas, onde já exercia a minha especialidade – implantologia. A remuneração era bastante acima da média, 70 horas semanais de trabalho e estava seguro das minhas capacidades. No entanto, não passou muito tempo até me sentir estagnado, sem autonomia para mudar processos, para sugerir, para criar algo de novo.

A Novembro de 2007, aproximava-se o Natal e eu, desapontado com o sistema, emocionalmente desgastado, tinha a oportunidade perfeita para descansar. Contudo, muitas vezes aquilo que desejamos não é do que precisamos. Foi então que decidi seguir as pisadas da minha mãe e, ainda cheio de dúvidas, comprar um bilhete só de ida para a Índia.

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Embarquei a 23 de Dezembro, tal como a minha mãe, sozinho, sem nada planeado, sem grandes justificações, apenas movido pela necessidade de me encontrar.

boleia rapazO relógio marcava nove horas, quando consegui boleia do Tarik, um rapaz indiano com 17 anos, que me levou na sua mota até a um centro de meditação que se escondia no meio das montanhas, numa aldeia em Pune.

Pouco ou nada sabia sobre meditação, tinha apenas algumas referências e a ideia contemporânea de que a Índia é o sítio onde nos conseguimos encontrar espiritualmente.

Mas contra as minhas expectativas, não tardou até perceber que podemos meditar e ter diferentes guias espirituais em qualquer sítio do mundo. “Quando achamos que temos todas as respostas, vem a Vida e muda todas as perguntas”, Luís Fernando Veríssimo.

Mais uma vez sentia-me perdido, o que estava eu ali a fazer?
Passados cinco dias no centro de meditação, fiz-me à estrada logo pela manhã, mais uma vez sozinho, mais uma vez perdido, mas com um sentimento de liberdade inigualável.

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Ler a Parte 2.

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